A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) está prestes a inaugurar uma nova formação em seu campus do Butantã, na zona oeste da capital paulista. O curso de Engenharia Eletrônica e Sistemas Computacionais já estará disponível no vestibular deste ano, com ingresso previsto para 2027, oferecendo 56 vagas anuais. A criação representa um desmembramento de uma das ênfases da tradicional Engenharia Elétrica, ganhando autonomia para atender às demandas crescentes do setor tecnológico.
"O curso foi pensado para motivar os alunos a desenvolverem projetos de engenharia ligados à sociedade. Tem como base um forte desenvolvimento em computação, projeto de semicondutores, chips e inteligência artificial", destaca Gustavo Pamplona, professor da Poli. Ele acrescenta que, "do ponto de vista pedagógico, o desenvolvimento de projetos e a dimensão prática são essenciais para a formação do engenheiro".
A aprovação pelo Conselho Universitário veio em 16 de dezembro do ano passado, consolidando uma estrutura curricular que integra teoria e prática desde o início. Além dos fundamentos sólidos em matemática, física e computação, a graduação aposta nos Projetos Integrativos Extensionistas. Essas atividades desafiam os estudantes a criar soluções para problemas reais, como sistemas de alerta para desastres naturais e estratégias para cidades inteligentes.
Nos dois anos finais, o aluno poderá personalizar sua trajetória através de trilhas de especialização em áreas estratégicas: Inteligência Artificial (IA), Semicondutores e Chips, Sistemas Embarcados, Comunicações e Processamento de Sinais. Para o corpo docente, a mudança reflete uma modernização necessária no ensino da engenharia, priorizando a motivação do estudante e a aplicação direta do conhecimento. Pamplona afirma que o pilar do curso é a conexão entre a excelência técnica e o impacto social.
Exemplos práticos já ilustram o perfil da nova formação. Um deles é o tracker biaxial, dispositivo desenvolvido por alunos para acompanhar o movimento do Sol em dois eixos. Sua operação é baseada nos horários do dia, com software que calcula a posição ideal tanto no eixo da base quanto no da placa. Um sensor de luminosidade (LDR) detecta quando o dia está nublado, ajustando a placa para captar o máximo de luz possível. Outro projeto consiste no monitoramento do Riacho Doce, na comunidade de São Remo, no próprio bairro do Butantã. O objetivo é implementar uma rede de sensores para prevenir enchentes, cruzando dados meteorológicos com informações coletadas localmente para reduzir danos à população.
A Poli divulgou um vídeo explicativo sobre o novo curso, disponível para quem quiser se aprofundar na proposta. A iniciativa marca um passo significativo na adaptação da universidade às transformações tecnológicas, preparando engenheiros não apenas com conhecimento técnico, mas com visão social e capacidade de inovação.

