Os atletas do Time São Paulo que representarão o Brasil na primeira etapa do Grand Prix Internacional de Atletismo, em Rabat, no Marrocos, mostraram toda a sua força durante o Circuito Loterias Caixa realizado esta semana no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo. A competição, que marcou a abertura da temporada, serviu como aquecimento para o desafio internacional que acontecerá de 23 a 25 de abril.
Dos 36 atletas brasileiros convocados para o Grand Prix, impressionantes 22 pertencem ao Time São Paulo – o que representa mais de 60% da delegação nacional. O programa, criado há 15 anos através de uma parceria entre o Governo de São Paulo e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), consolida-se cada vez mais como a principal base de formação de talentos do paradesporto nacional.
"O Time São Paulo já brilhou no Mundial de Atletismo Paralímpico do ano passado, ajudando o Brasil a conquistar a inédita primeira colocação no quadro de medalhas. Essas competições de abril são o segundo passo da jornada dentro do ciclo paralímpico Los Angeles-2028, que tem tudo para ser ainda mais vitorioso. Seguimos na torcida convictos de que nossos atletas trarão ótimos resultados", projetou Marcos da Costa, Secretário Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
O Circuito Loterias Caixa reuniu 411 atletas na quarta (1º) e quinta-feira (2), com performances que animam para a temporada que se inicia. No arremesso de peso da classe F32, a amapaense Wanna Brito, bicampeã mundial, atingiu a marca de 7,94 metros – superando os 7,89 metros que lhe garantiram a medalha de prata nos Jogos Paralímpicos de Paris em 2024. Wanna é a atual recordista e campeã mundial da prova, com 8,49 metros obtidos em Nova Déli, em 2025.
"Será muito especial voltar ao Marrocos, agora como integrante do Time São Paulo. Foi lá que tive meu primeiro grande resultado internacional no Grand Prix de 2023, com duas medalhas, uma de ouro e uma de prata", disse a atleta, que carrega a experiência de quem já conhece o palco da competição.
No lançamento de disco, a tricampeã paralímpica Beth Gomes, aos 61 anos, subiu ao lugar mais alto do pódio e mostrou que a idade não é limite para quem tem determinação. "Muito feliz por seguir competindo em alto nível com 61 anos e quero seguir fazendo história junto com o Time São Paulo", comentou Beth com a medalha no peito.
Alessandro Rodrigo da Silva, outro atleta do Time São Paulo que compete no lançamento de disco e no arremesso de peso, mantém a mentalidade competitiva que o tornou bicampeão paralímpico. "Para seguir tendo apoio do Time São Paulo, preciso estar entre os melhores e é para isso que trabalho em cada treino e competição", analisou.
Um dos momentos mais marcantes do circuito foi o novo recorde das Américas estabelecido por Henrique Caetano, de 29 anos, nos 200m da classe T35. O paulista marcou 23s55, superando sua própria marca anterior de 23s76 registrada no Mundial de Nova Deli em outubro de 2025. O feito ganha ainda mais relevância por ter sido alcançado durante fase intensa de treinamentos, sem período específico de descanso para a prova.
"Estou muito feliz. Bater um recorde em uma fase forte de treinamento, saindo da base [período de treinos dedicado a ganho de força e resistência], sem descansar antes da prova, mostra que o trabalho está dando resultado. Estar no ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles correndo muito bem é muito gratificante", comemorou Henrique, que promoveu mudanças importantes em sua preparação, com foco no fortalecimento psicológico e início de acompanhamento nutricional.
A diversidade de talentos do Time São Paulo se manifesta também na versatilidade dos atletas. Jerusa Geber, medalhista de ouro nos 100 e 200m em duas Paralimpíadas, agora também compete no ciclismo. "A estrutura do Time São Paulo nos dá confiança e tranquilidade para encarar esses desafios que me tornaram uma atleta ainda mais completa", projetou ela.
Histórias de transformação através do esporte também fazem parte do programa. Bartolomeu Chaves se mudou de Brasília para São Paulo com o objetivo de se desenvolver como atleta após entrar para o Time São Paulo. "Minha história mostra que esse programa de fomento ao esporte paralímpico é capaz de formar campeões mundiais e em Los Angeles vou em busca do meu primeiro ouro em Paralimpíadas", disse.
A saltadora Zileide Cassiano, bicampeã mundial no salto em distância e medalhista de prata em Paris-2024, sonha com sua primeira medalha de ouro paralímpica. "Competições como esse circuito ou o Grand Prix do Marrocos são importantes para medir em que nível estamos e planejar cuidadosamente os treinos porque 2027 será mais movimentado com Para-Pan, Campeonato Mundial e sei que o Time São Paulo está comigo em busca da melhor marca. Saltando 2cm mais longe alcanço o recorde mundial e tenho chances de trazer o ouro em Los Angeles, em 2028", planeja Zileide.
O Time São Paulo mescla experiência e juventude entre seus 157 atletas. Maria Clara Lima, velocista e ícone da nova geração do esporte paralímpico, absorve o conhecimento dos mais experientes. "Converso com muitos atletas que estão há mais tempo no Time São Paulo e eles me falam sobre a importância de manter a disciplina para se desenvolver com o programa", contou a jovem revelação.
Criado em 2011, o Time São Paulo Paralímpico é fruto da parceria entre o Governo do estado e o Comitê Paralímpico Brasileiro, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de atletas paralímpicos de alto rendimento. O programa, que começou com apenas 21 esportistas e quatro atletas-guia, teve papel fundamental no bom desempenho do Brasil em competições internacionais. Os resultados foram tão expressivos que, caso o Time São Paulo fosse um país, ocuparia posição de destaque no quadro de medalhas de competições como os Jogos Parapan-Americanos e Jogos Paralímpicos.
Em 2026, o programa está mais forte do que nunca, com investimento de R$ 8,2 milhões em 157 atletas – sendo 43 novos integrantes – de 16 modalidades paralímpicas diferentes, ampliando sua atuação inclusive para os Jogos Paralímpicos de Inverno. O Time São Paulo segue construindo uma trajetória de conquistas esportivas e impacto social, honrando o compromisso com inclusão, respeito e excelência no esporte.

