O suspeito de cometer um feminicídio em uma joalheria de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, recebeu alta médica e foi preso nesta terça-feira (3). Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 30 anos, é acusado de assassinar a ex-namorada Cibelle Monteiro Alves, de 25 anos, no último dia 25 de abril, dentro do Shopping Golden Square, onde a vítima trabalhava.
O criminoso foi baleado pela polícia durante a ação e precisou de atendimento hospitalar antes de ser encaminhado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Ainda nesta terça, ele será transferido para o Centro de Detenção Provisória, com destino final ao 3º Distrito Policial da cidade.
O inquérito policial permanece aberto e as investigações seguem sob o comando do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) do município. O caso foi registrado como feminicídio, crime que tem como agravante a condição de gênero da vítima.
O crime na joalheria
Cássio Henrique atacou Cibelle dentro da joalheria onde ela trabalhava, portando uma faca e uma arma de airsoft. O homem feriu gravemente o pescoço da vítima, que não sobreviveu à agressão. Testemunhas relataram cenas de pânico no local, com clientes e funcionários tentando se proteger durante o ataque.
O crime foi motivado pelo fim do relacionamento entre os dois. Cássio não aceitava a separação e, segundo investigações preliminares, planejou o ataque com antecedência. Cibelle tinha medida protetiva — qualificada como urgente pela Justiça — e havia registrado diversos boletins de ocorrência contra o ex-namorado nos meses anteriores ao crime.
Contexto de violência contra a mulher
O caso ocorre em um momento de alerta sobre a violência de gênero no Brasil. No ano passado, o país registrou recorde de feminicídios, com 1.518 vítimas, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Especialistas apontam que o número real pode ser ainda maior, já que muitos casos não são classificados corretamente.
Em São Paulo, o estado registrou aumento nos casos de feminicídio em janeiro deste ano, reforçando a necessidade de políticas públicas mais efetivas de proteção às mulheres. A tragédia de Cibelle se soma a outras histórias que ganharam destaque recentemente, como o mural em homenagem a Tainara, vítima de feminicídio em São Paulo, inaugurado durante um ato contra a violência de gênero.
Próximos passos do caso
Com a prisão de Cássio Henrique, o processo judicial deve seguir seu curso. A defesa do acusado ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. Enquanto isso, familiares e amigos de Cibelle organizam vigílias e buscam justiça para a jovem, lembrada como uma profissional dedicada e uma pessoa de bom coração.
A polícia continua coletando provas e depoimentos para fortalecer a acusação. O DEIC tem prazo determinado para concluir as investigações e encaminhar o caso ao Ministério Público, que decidirá sobre a denúncia.

