A digitalização dos serviços públicos no estado de São Paulo atingiu um patamar de consolidação, com 39% da população acessando plataformas eletrônicas do governo em 2025. O percentual, divulgado pela Fundação Seade na série Seade SP TIC, mantém-se próximo ao registrado em 2023 (40%), indicando que o uso desses canais se estabilizou entre os residentes do estado.

A pesquisa, realizada online em 2021, 2023 e 2025, analisa as condições de acesso e utilização da internet entre os paulistas. Os dados revelam que a disponibilização de canais eletrônicos tem facilitado e agilizado serviços como obtenção de documentos, agendamentos e pagamento de impostos e taxas. Entre as funcionalidades mais utilizadas estão emissão de RG, renovação da Carteira Nacional de Habilitação, licenciamento de veículos, agendamento de procedimentos de saúde e matrícula na rede pública de ensino.

A estruturação e ampliação desses serviços fazem parte da estratégia do Governo do Estado para modernização da gestão pública. Em 2023, foi criada a Secretaria de Gestão e Governo Digital (SGGD), órgão central com três pilares: melhorar a Gestão Pública, combater a burocracia e fazer a transformação digital do Estado. A secretaria comanda cinco órgãos públicos (Prodesp/Poupatempo, Detran, Iamspe, SPPrev e PrevCom) e administra o Arquivo Público.

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O perfil dos usuários mostra que o uso é mais frequente entre homens (41%) do que entre mulheres (38%). As faixas etárias de 30 a 44 anos (59%) e 45 a 59 anos (53%) apresentam as maiores taxas de utilização, enquanto pessoas com 60 anos ou mais representam apenas 29% dos usuários. Indivíduos com ensino superior acessam mais os serviços (52%), assim como aqueles de famílias com renda superior a três salários mínimos (49%).

Regionalmente, os patamares de acesso são similares: Região Metropolitana (40%), interior (38%) e município de São Paulo (40%). Em 2025, a principal finalidade do acesso foi a realização de serviços (53%), superando a busca por informações (47%). Mulheres acessam os canais em proporções próximas para buscar informações (49%) e realizar serviços (51%), enquanto entre os homens o acesso para serviços é superior (55%).

A avaliação dos serviços digitais é amplamente positiva: 87% dos usuários afirmaram que utilizariam novamente essas plataformas. Para 94% dos respondentes, essa modalidade de atendimento traz benefícios como facilitar o acesso aos serviços (39%), reduzir o tempo de espera (34%) e evitar deslocamentos (22%).

Entre os que não utilizam os serviços, a principal alegação foi ausência de necessidade (41%). No entanto, 26% afirmaram não saber ou não gostar de usar canais digitais, 18% declararam não ter acesso à internet e 15% alegaram desconhecer a existência desses canais. Somados, 59% das alegações para não uso podem estar associadas a dificuldades com habilidades digitais, falta de conexão ou desconhecimento das plataformas.

O levantamento aponta potencial de crescimento: 49% das pessoas que ainda não utilizam os canais eletrônicos aceitariam fazê-lo no futuro. Entre os serviços de maior interesse para esse público destacam-se agendamentos (27%), emissão de boletos, certidões e licenças (17%) e realização de reclamações (16%).

Mesmo entre quem não utiliza os serviços, 80% vê benefícios na oferta online, destacando facilitação do acesso (32%), redução do tempo de espera (27%) e possibilidade de evitar deslocamentos (21%). Os dados indicam que, enquanto o uso já se consolidou entre parte da população, há espaço significativo para expansão através de políticas de inclusão digital e divulgação dos serviços disponíveis.