Em um momento histórico para Rio Branco do Sul, que celebra 78 anos de emancipação, o município recebe um dos maiores pacotes de investimentos em infraestrutura de sua história. A Sanepar, após concluir a primeira etapa de implantação do sistema de esgotamento sanitário em novembro de 2025, agora emprega ritmo acelerado na segunda fase da obra, aproximando a cidade das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento. Com as obras em andamento, a projeção é que Rio Branco do Sul atinja 90% de atendimento com coleta e tratamento de esgoto até 2033.
Nesta nova fase, o projeto prevê a instalação de 13,7 mil metros de rede coletora e a execução de 842 novas ligações prediais. O investimento de R$ 11,7 milhões contempla ainda a construção de duas unidades de bombeamento: as Estações Elevatórias de Esgoto (EEE) Rocinha e RO 04. Essas estruturas são fundamentais para vencer os desafios do relevo local e garantir o fluxo adequado dos efluentes.
Na etapa anterior, já foram investidos R$ 32,4 milhões, na execução de aproximadamente 19 mil metros de rede coletora, mais de 3 mil metros de coletores e 1.158 ligações prediais. Esse montante significativo demonstra o compromisso do estado do Paraná com a universalização do saneamento básico, uma pauta que ganhou ainda mais relevância após a aprovação do novo marco regulatório.
O sistema será operado pela Ambiental Paraná, por meio de uma parceria público-privada (PPP). A concessionária também será responsável pelas futuras ampliações de atendimento no município, garantindo a manutenção e a expansão contínua dos serviços. Essa modelagem busca combinar a eficiência da iniciativa privada com o controle público sobre um serviço essencial.
De acordo com o engenheiro e gestor de obras da Sanepar, Fabio Buissa, a estruturação do sistema de esgoto impacta diretamente nos indicadores de saúde pública. "A implantação do sistema permite a redução de doenças de veiculação hídrica e contribui para a preservação dos rios da região, melhorando as condições ambientais do município", afirma. A afirmação reforça o entendimento de que saneamento não é apenas uma obra de engenharia, mas uma ferramenta poderosa de promoção da saúde e proteção ambiental.
Os desafios, no entanto, são significativos. O cronograma de execução das obras na rede enfrenta dificuldades específicas do relevo de Rio Branco do Sul. Por se tratar de uma área com topografia acidentada e solo rochoso, os trabalhos de escavação apresentam maior complexidade técnica. Além disso, a presença de ruas estreitas exige logística diferenciada para a movimentação de máquinas pesadas, visando a finalização das manobras necessárias para a conclusão do sistema. Esses obstáculos naturais demandam planejamento minucioso e adaptação constante das equipes no canteiro de obras.
Enquanto isso, em Curitiba, um painel do artista Poty Lazzarotto sobre o tema do saneamento completa 30 anos, lembrando que a luta por água limpa e esgoto tratado é uma batalha antiga no estado. Paralelamente, a Sanepar firma nova parceria na Lapa para abastecimento de água em comunidades rurais, mostrando que os esforços de universalização do saneamento seguem em múltiplas frentes pelo Paraná.
Para os moradores de Rio Branco do Sul, a expectativa é de que, além dos números e investimentos, as obras tragam uma transformação concreta na qualidade de vida. A redução de doenças, a melhoria na salubridade dos rios e a valorização dos imóveis são alguns dos benefícios esperados. O caminho até 2033 ainda é longo, mas cada metro de tubulação instalado representa um passo firme em direção a um futuro mais saudável e sustentável para a cidade.

