O Polo Industrial de Manaus, principal centro de fabricação de motocicletas do Brasil, registrou um desempenho robusto nos primeiros três meses do ano. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (9) pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foram produzidas 561.448 unidades no período, um crescimento de 12,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Este é o segundo melhor resultado trimestral da história do setor.

O mês de março, em particular, foi marcado por um recorde histórico de produção para o período, com 212.716 motocicletas fabricadas. Esse volume representa um avanço expressivo de 34,5% na comparação com março do ano passado e de 29,6% em relação a fevereiro. "O resultado do primeiro trimestre foi extremamente positivo, com o melhor março histórico de produção", comemorou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento.

Analisando a produção por faixa de cilindrada, fica evidente a predominância dos modelos mais acessíveis. As motocicletas de baixa cilindrada lideraram o ranking, com 435.731 unidades produzidas, o que corresponde a 77,6% do total fabricado. Em seguida, vieram os modelos de média cilindrada, com 110.405 unidades (19,7%), e os de alta cilindrada, que somaram 15.312 unidades (2,7%).

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O bom momento não se limita às linhas de montagem. O mercado varejista também apresentou números vigorosos. No acumulado de janeiro a março, as vendas de motocicletas totalizaram 571.728 unidades, um aumento de 20,6% frente ao mesmo período de 2025. Somente em março, foram licenciadas 221.618 unidades, com crescimento de 33,5% na comparação anual e de 29,2% em relação a fevereiro.

Para Marcos Bento, a consistência das vendas se deve aos atributos fundamentais do veículo. "As vendas continuam consistentes, principalmente pelos atributos da motocicleta como economia, mobilidade urbana, menor custo de aquisição e uso profissional", explicou o dirigente durante entrevista coletiva. O Brasil consolida sua posição como o sexto maior produtor de motocicletas do mundo.

O cenário internacional também trouxe boas notícias para o setor. As exportações de motocicletas fabricadas em Manaus cresceram 18,6% no primeiro trimestre, totalizando 11.441 unidades enviadas ao exterior. Em março, foram 4.606 unidades exportadas, alta de 13,9% ante março de 2025. "Houve crescimento novamente para a América do Sul, com o primeiro lugar liderado pela Argentina, provocada pela recuperação da economia", destacou Bento.

Apesar do otimismo, a entidade mantém um olhar atento aos ventos contrários da economia global. O presidente da Abraciclo sinalizou cautela diante da instabilidade geopolítica. "Existe uma preocupação quanto aos conflitos globais. Isso está impactando no preço do petróleo e de seus derivados, o que pressiona a inflação e provocou uma leve queda na taxa da Selic. Esse cenário macroeconômico gera um pouco de preocupação no segmento", ponderou.

Olhando para o futuro, a Abraciclo, que completa 50 anos em 2026, traçou projeções animadoras para o ano corrente. A expectativa é de um crescimento de 4,5% na produção, com a fabricação de 2.070.000 unidades. Para as vendas no varejo, a projeção é de 2.300.000 motocicletas licenciadas, um aumento de 4,6%. Nas exportações, a previsão é de um crescimento em torno de 4,4%, com 45.000 unidades embarcadas para outros países.

Os números robustos do primeiro trimestre reforçam a tendência de fortalecimento do setor de duas rodas no Brasil, que vem de um ano de 2025 marcado por recordes históricos de vendas e uma frota nacional em expansão contínua. A capacidade de resposta da indústria instalada em Manaus e a resiliência da demanda interna parecem ser os pilares para um 2026 promissor.