A cooperação internacional entre a Fundação Araucária e a Universidade Provincial de Kyoto completou dois anos em junho, com destaque dentro do Programa Ganhando o Mundo da Ciência. Por meio do programa, estudantes e pesquisadores do Paraná vêm desenvolvendo pesquisas no Japão, fortalecendo conexões acadêmicas, científicas e culturais. Desde o início da parceria, já foram realizadas dez mobilidades acadêmicas entre 2025 e 2026, envolvendo graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. O investimento executado pela Fundação Araucária ultrapassa R$ 560 mil.

O programa integra uma estratégia mais ampla de internacionalização da Fundação Araucária. Somando todas as mobilidades internacionais em andamento, os investimentos superam R$ 3,5 milhões, contemplando parcerias com Japão, França, Holanda, Canadá e Austrália. Ao todo, 51 pesquisadores já participaram do programa.

O segundo grupo de pesquisadores paranaenses desembarcou em Kyoto entre o fim de março e o início de abril, com mobilidade acadêmica até setembro e outubro. Entre os participantes está a bióloga Andressa Guarnieri Canton, mestranda da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Ela desenvolve pesquisa no Department of Agricultural and Life Science da universidade japonesa sobre microbiomas do solo aplicados à agricultura sustentável. "Escolhi o Japão porque já havia conhecido alguns integrantes da Universidade de Kyoto e, quando surgiu a oportunidade, não foi preciso pensar duas vezes. A experiência está sendo muito desafiadora e gratificante", relatou.

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Também da Unioeste, o mestrando Joacir João Neto Piana pesquisa reaproveitamento de resíduos industriais cítricos para obter compostos bioativos com potencial antimicrobiano no Departamento de Ciências dos Alimentos e Nutrição. "Escolhi o Japão por ser um país que consegue unir modernidade, desenvolvimento científico e tradição cultural de forma muito única. Além disso, é um país reconhecido mundialmente pelos investimentos em pesquisa", destacou. Ele afirma que estudar no Japão era algo distante de sua realidade até a aprovação no programa: "Sinceramente, eu nunca havia imaginado estudar aqui. Ainda existe um pequeno choque quando percebo que estou vivendo essa experiência".

O pesquisador Jhonatan Matheus Piaceski Rocha, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), faz pós-doutorado em Kyoto, investigando a conversão de ácidos carboxílicos protegidos em ésteres - reação inédita descoberta no laboratório japonês. "Observar como outros grupos de pesquisa adaptam técnicas e metodologias mostra diferentes formas de pensar e conduzir a ciência", afirmou.

Segundo o pesquisador André Cruz, vice-presidente da assessoria internacional da Universidade Provincial de Kyoto, a presença dos bolsistas paranaenses já traz resultados positivos. "Esse intercâmbio está trazendo bons frutos e tende a crescer ainda mais. Esperamos que o trabalho contribua para o Brasil e especialmente para o Paraná", completou.

Além das cooperações já estabelecidas, a Fundação Araucária negocia novas oportunidades com instituições da Itália, Austrália, Canadá, Paraguai, Argentina, Finlândia, Portugal, Espanha, Alemanha e Moçambique. O presidente da Fundação, Ramiro Wahrhaftig, destacou que a parceria simboliza o compromisso do Paraná com a formação de pesquisadores preparados para atuar em ambientes globais de inovação. "Estamos expandindo parcerias estratégicas porque acreditamos que o conhecimento se fortalece pela colaboração internacional. O Paraná hoje é referência nacional em políticas de internacionalização da ciência", completou.