As maternidades de alto risco do Paraná deram início à aplicação do Nirsevimabe, um novo imunobiológico indicado para a prevenção de infecções causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em bebês. A primeira aplicação na rede pública estadual aconteceu no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, marcando o início da oferta do medicamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

Conforme diretrizes do Ministério da Saúde, o medicamento já está sendo ofertado em 35 maternidades de alto risco do Paraná que atendem pelo SUS. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) recebeu do governo federal 1.366 doses, que foram distribuídas por meio das suas Regionais de Saúde para todo o território paranaense.

O vírus sincicial respiratório é uma das principais causas de infecção do trato respiratório inferior em bebês e crianças pequenas, podendo evoluir para bronquiolite e pneumonia, especialmente nos primeiros meses de vida. A chegada do novo medicamento representa um avanço significativo na proteção dessa população vulnerável.

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O Nirsevimabe é indicado para dois grupos específicos: bebês prematuros, nascidos com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, independentemente do peso; e crianças com idade inferior a 24 meses (até 1 ano, 11 meses e 29 dias) que apresentem comorbidades previstas nos critérios de inclusão. Entre essas condições estão cardiopatias congênitas, broncodisplasia, imunocomprometimento, Síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares e anomalias congênitas das vias aéreas.

Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, o início da aplicação representa um avanço importante na proteção dos bebês, especialmente os mais vulneráveis. "Estamos ampliando o acesso a um imunobiológico moderno, seguro e eficaz, seguindo rigorosamente os critérios técnicos. Essa medida reforça o cuidado desde os primeiros dias de vida e fortalece a rede pública de saúde no enfrentamento das infecções respiratórias graves causadas pelo vírus sincicial", disse.

Nesta quarta-feira (04), os gêmeos Arthur e Cauã, de apenas dois dias de vida, receberam no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, a dose única do Nirsevimabe. Os meninos estavam dentro dos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para receber o medicamento.

Para Cibele dos Santos, mãe dos bebês, o momento é muito importante e deixá-los mais seguros traz tranquilidade. "Para nós, mães, nesse momento toda segurança é importante. Sabendo que é uma doença que causa tantos internamentos, ter essa segurança dá mais uma paz no coração. E agora saúde para eles", ressaltou.

Diferenças importantes na administração: para bebês prematuros, a administração do Nirsevimabe poderá ocorrer ao longo de todo o ano, preferencialmente ainda nas maternidades. Já para crianças com comorbidades, a aplicação será exclusivamente durante o período sazonal do VSR, compreendido entre fevereiro e agosto.

Quando indicado, o medicamento poderá ser administrado na maternidade ou durante a internação neonatal, desde que o recém-nascido esteja clinicamente estável, sem instabilidade cardiorrespiratória ou necessidade de suporte intensivo imediato. O uso é contraindicado em casos de histórico de reação alérgica grave ao medicamento ou a seus componentes, bem como em situações de distúrbios hemorrágicos significativos que impeçam a aplicação por via intramuscular.

Proteção ampliada contra o VSR: o Nirsevimabe não é uma vacina, mas sim um imunobiológico de imunização passiva, que fornece anticorpos prontos para a proteção contra o VSR. Atualmente, existe um medicamento, o Palivizumabe, com essa mesma finalidade. A diferença é que neste caso exige doses mensais durante o período de maior circulação do vírus, enquanto o Nirsevimabe é administrado em dose única.

Para prevenir a doença ainda dentro da barriga da mãe, o Estado também possui uma vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) destinada às mulheres grávidas a partir da 28ª semana de gestação. A vacina é aplicada sem restrição de idade, com o objetivo de proteger o recém-nascido nos primeiros seis meses de vida, período de maior vulnerabilidade para doenças graves causadas pelo VSR, como bronquiolite e pneumonia. A gestante, ao ser vacinada, transfere anticorpos ao feto pela placenta, reduzindo os riscos de infecção grave e complicações respiratórias.

A implementação do Nirsevimabe no Paraná representa mais uma ferramenta no arsenal de proteção à saúde infantil, especialmente para aqueles bebês que nascem em condições de maior vulnerabilidade. Com a distribuição estratégica pelas Regionais de Saúde, o estado busca garantir que todas as crianças elegíveis tenham acesso a essa importante medida preventiva.