A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) confirmou nesta quarta-feira (1º) a morte de uma das seis pacientes que receberam transplantes de órgãos infectados pelo vírus HIV em outubro de 2024. A vítima era uma mulher de 64 anos que estava em acompanhamento médico desde a confirmação da infecção. A causa da morte ainda está sob investigação.
Em nota, a SES-RJ lamentou o óbito e informou que a paciente recebeu assistência integral desde o diagnóstico. "Há um ano e cinco meses, ela vinha recebendo total assistência, era monitorada diariamente pela equipe multidisciplinar da Secretaria. Em julho do ano passado, a paciente foi indenizada pelo Governo do Estado", divulgou a pasta. A secretaria afirmou ainda que continuará a oferecer suporte psicológico aos familiares.
O episódio ocorreu em outubro de 2024, quando autoridades de saúde confirmaram que seis pacientes transplantados no estado do Rio de Janeiro foram infectados por HIV após receberem órgãos de doadores contaminados. De acordo com a SES-RJ e o Ministério da Saúde, dois doadores testaram positivo para o vírus, o que levou à infecção dos receptores. O caso foi classificado pelas autoridades como "sem precedentes e inadmissível".
As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela Polícia Civil e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro apontaram para um laudo fraudulento como origem do problema. O laboratório PCS Saleme, contratado pelo governo estadual em dezembro de 2023 por intermédio da Fundação Saúde para realizar exames de sorologia, emitiu resultados que não acusaram a presença do HIV em órgãos de dois doadores.
Após o caso vir à tona, o laboratório PCS Saleme foi interditado pela Vigilância Sanitária estadual e o contrato com o governo do estado foi rescindido. O escândalo também provocou a renúncia da direção da Fundação Saúde. As investigações continuam para apurar responsabilidades e evitar que casos semelhantes voltem a ocorrer.

