A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) transformou a manhã desta quarta-feira (08) em uma experiência musical inesquecível para 700 estudantes da rede pública de ensino de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. O concerto marcou a abertura do projeto "Guaíra para Todos" em 2026, levando cultura de alta qualidade diretamente às comunidades que muitas vezes não têm acesso a esse tipo de programação.
O maestro convidado Alexandre Brasolim, que regerá também o concerto noturno desta quinta-feira (09), explicou a importância da iniciativa: "Nosso objetivo é democratizar o acesso à cultura de alta qualidade, aproximando a música erudita do campo-larguense e fortalecendo o orgulho por nossa identidade paranaense".
Para as crianças, a experiência foi mágica. Alunas da Escola Municipal Carlos Drummond de Andrade, como Isabela Ribeiro, de 8 anos, não escondiam o encantamento: "Adorei os violinos, achei muito bonito". Sua colega Larissa dos Santos de Lara completou: "Foi muito legal, eu gostei muito dos instrumentos". As meninas acompanhavam atentamente cada movimento dos músicos, imitando com as mãos os gestos que viam no palco.
A secretária de Cultura e Turismo do município, Dorotéa Merchiori Stoco, destacou o caráter educativo do evento: "Recebemos esse projeto no ano passado e foi muito bem aceito pela comunidade. Trazer a orquestra no nosso município é um privilégio e uma oportunidade, principalmente para os estudantes".
O repertório do concerto matinal foi cuidadosamente selecionado para dialogar com o universo infantojuvenil, incluindo desde clássicos como "Uma Pequena Serenata Noturna" de Wolfgang Amadeus Mozart até trilhas conhecidas do cinema, como temas de John Williams para "Star Wars" e "Harry Potter", passando por "Tico-Tico no Fubá" de Zequinha de Abreu e músicas inspiradas nos Minions.
A professora Flávia Camila Ester, do Colégio Estadual Inove, natural de Umuarama e moradora de Campo Largo há seis anos, ressaltou a importância do acesso: "Muitas famílias não têm recursos para ir até o Teatro Guaíra em Curitiba, e iniciativas como essa ajudam a aproximar as crianças e adolescentes da OSP". Para ela, que assistia a um concerto da orquestra pela primeira vez, a experiência foi emocionante.
A diretora Maria Amélia Alves, da Escola Municipal Carlos Drummond de Andrade, destacou o valor educativo da apresentação: "As crianças e os adolescentes estão acostumados a ouvir música, mas não de orquestra. Isso é importante para ter acesso, para aguçar a curiosidade, afinar o ouvido e aumentar a percepção musical". Tão encantada ficou que garantiu sua presença no concerto noturno: "Com certeza, vou trazer minha família para assistir".
O concerto noturno desta quinta-feira (09), marcado para as 20h no Santuário Bom Jesus, promete um repertório mais amplo e tradicional. O público poderá apreciar a abertura de "O Barbeiro de Sevilha" de Gioachino Rossini, as "Danças Húngaras" de Johannes Brahms, a "Valsa nº 2" de Dmitri Shostakovich, além de obras de Franz Schubert, Johann Sebastian Bach e outros grandes compositores.
Segundo o maestro Brasolim, "é um repertório muito bonito, com clássicos populares que marcaram época. Temos grandes obras sinfônicas que tocam profundamente o público". A entrada é gratuita, sem necessidade de retirada de ingressos, bastando comparecer ao local.
Criado em 2016, o projeto Guaíra para Todos tem como missão democratizar o acesso à cultura no Paraná, levando espetáculos de música, dança e teatro a diversas regiões do Estado. A iniciativa é desenvolvida pelo Centro Cultural Teatro Guaíra em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e prefeituras municipais.
Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, reforça o propósito: "Levar a Orquestra Sinfônica do Paraná aos mais diversos municípios do nosso Estado é uma forma de reafirmarmos que a arte deve estar em todos os lugares e ser apreciada por todos".
Além da OSP, o projeto envolve outros corpos artísticos como o Balé Teatro Guaíra e a G2 Cia de Dança, que também circulará pelo Estado em abril com apresentações em Francisco Beltrão e Telêmaco Borba. A proposta é romper barreiras geográficas e sociais, aproximando o público da arte e formando novas plateias em todo o Paraná.

