A ponte de Guaratuba, inaugurada em 1º de maio, já está mudando a vida de moradores e trabalhadores do Litoral do Paraná. O que antes era uma travessia que podia levar horas – especialmente em feriados e dias de movimento intenso – agora é feito em questão de minutos. O percurso entre Guaratuba e Matinhos, que dificilmente levava menos de 40 minutos e podia chegar a algumas horas, agora pode ser feito em cerca de um minuto e meio, como constatou o funcionário público Alexandre Palhares, de 37 anos.
“O primeiro dia que cruzei a ponte para vir trabalhar parecia que eu estava indo a um lugar novo, diferente. Eu cronometrei, deu um minuto e meio”, conta Palhares, que mora em Guaratuba e trabalha na Prefeitura de Matinhos. Antes da ponte, ele perdia pelo menos 40 minutos só na travessia de moto, tanto na ida quanto na volta. “É muito tempo, principalmente para quem tem uma vida corrida como a minha, com dois filhos, e um deles bebê. Agora tenho mais tempo para ficar com a minha família, resolver minhas coisas pessoais, é um tempo que eu tenho para mim mesmo”, afirma.
A nova estrutura elimina a dependência do ferry boat, que por mais de 60 anos foi o único meio de ligação entre as duas cidades. A outra alternativa era ir até Garuva, em Santa Catarina, para alcançar Curitiba e outras regiões por terra. Com a ponte, serviços essenciais como atendimento de saúde também ganharam agilidade. Uma ambulância de Guaratuba, por exemplo, conseguiu levar um paciente a Matinhos em apenas 11 minutos.
Taxistas também comemoram a mudança. Artemio Rodrigues Mendes, que está em Guaratuba desde 1985, lembra que antes recusava corridas para Matinhos por causa do tempo perdido na travessia. “Às vezes pintava algumas corridas, mas eu recusava, porque ou ela ficava muito cara ou demorava demais. Dava três horas para ir e voltar e com esse tempo eu poderia levar algum passageiro para o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e voltar para Guaratuba”, explica. Agora, ele diz que as corridas para Matinhos, Cabaraquara e a Prainha aumentaram. “A gente nunca perdeu a esperança. Quando a obra começou, ficava olhando a ponte ficar pronta com expectativa. E no dia da inauguração eu tava lá e já atravessei ela a pé, e depois passei muitas vezes de carro”, relata.
O colega Gilberto Godim de Souza, que veio de Londrina há mais de 20 anos, também destaca a melhoria. “Era muito difícil, a gente pegava muita fila para atravessar, a gente perdia corridas por causa disso. E por causa da natureza, em dias de muita chuva e neblina, a balsa virava um problema”, conta. “Desde que vim de Londrina para o Litoral, há mais de 20 anos, ouvia falar da ponte. A gente nunca perdeu a esperança que as coisas um dia iam melhorar. É uma alegria. Agora a gente pode trabalhar com gosto e não perde umas corridinhas, vai muito para Matinhos e Paranaguá”.
A ponte também começa a movimentar as cidades de forma mais integrada. Palhares observa que já é possível notar a diferença. “Não existe mais aquela fila de veículos parados no ferry boat, mas a gente vê carro atravessando o tempo inteiro na ponte. Já dá para notar o movimento aumentando nas duas cidades”, afirma. Ele acrescenta que pessoas que moram em Matinhos agora circulam por Guaratuba com mais frequência, não apenas para passear, mas para resolver assuntos do dia a dia. “A expectativa é aumentar também o número de turistas, porque muita gente que antes não se animava para vir para Guaratuba agora terá essa facilidade”, completa.
A ponte de Guaratuba é a terceira maior ponte sobre o mar do Brasil, com 1.240 metros de extensão, quatro faixas de tráfego, ciclovia e áreas para pedestres, além de acessos que totalizam mais de três quilômetros de obra. O investimento do Governo do Estado foi superior a R$ 400 milhões, sob responsabilidade do Departamento de Estrada de Rodagem do Paraná (DER/PR) e executado pelo Consórcio Nova Ponte.

