Oito negativos fotográficos em vidro e uma lanterna slide retornaram ao acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, após mais de um século sob a guarda da Fundação Biblioteca Nacional. As imagens, utilizadas pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto em uma conferência em 1913, estavam preservadas na Biblioteca Nacional e agora integram a coleção da Seção de Memória e Arquivo (Semear) do Museu Nacional/UFRJ.

Os itens restituídos retratam culturas indígenas, elementos da natureza e exemplares associados à pesquisa científica. Entre eles, estão os negativos intitulados: “Desenhos simbólicos dos índios Bakairis, segundo Von den Steinen”; “Zoolito dos Sambaquis de Santa Catarina”; “Índios Mauhá – viagem filosófica, de Alexandre Rodrigues Ferreira”; “Cephalopterus ornatus”; “Maloca dos índios Curutús do Rio Negro”; “Tartaruga sp.”; “K. von den Steinen e seus companheiros da Expedição Alemã, de 1884”; “Iararaca dos Parecis”; e “Cabeça do último índio Cambeba (Deformação simétrica alongada)”.

Para o Museu Nacional, a restituição representa um marco simbólico, pois permite o reencontro com documentos históricos insubstituíveis que preservam aspectos singulares da ciência, da cultura e das práticas institucionais de sua trajetória. O conjunto contribui para o fortalecimento da preservação da memória científica e para o desenvolvimento de pesquisas futuras.

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Segundo o diretor do Museu Nacional/UFRJ, Ronaldo Fernandes, o diálogo com as instituições é fundamental para a preservação e a recomposição do acervo. “A incorporação dos negativos em vidro ao acervo do Museu Nacional simboliza a força dessa cooperação e o compromisso compartilhado com a preservação de um patrimônio de enorme relevância histórica, científica e cultural para o Brasil”, afirmou.

A mediação para a devolução foi conduzida pelo chefe da Seção de Memória e Arquivo do Semear, Jorge Dias, que recebeu a informação da existência dos negativos na Biblioteca Nacional. A identificação e análise das imagens foram feitas por equipe técnica da Semear, com a participação do historiador Gustavo Alves Cardoso Moreira e da conservadora-restauradora Ana Luiza Castro do Amaral, chefe do Laboratório Central de Conservação e Restauro.

O grupo estabeleceu associações entre os negativos preservados pela Biblioteca Nacional, a coleção histórica de pranchas fotográficas e a antiga coleção de negativos em vidro do Museu Nacional, conhecida atualmente apenas por registros documentais, uma vez que esse acervo foi perdido no incêndio de 2018. “Cada negativo preservado nesses vidros carrega não apenas registros visuais, mas também memórias de pesquisa, de encontros interculturais e de práticas acadêmicas que ajudaram a construir a trajetória da ciência no Brasil”, disse Jorge Dias.