Nem tudo no SXSW acontece nos grandes palcos. E, para Guilherme Martins, vice-presidente de marketing e inovação da Diageo no Brasil, talvez seja exatamente aí que esteja o problema para algumas marcas. O executivo passou a maior parte do festival dentro da SP House, onde atuou como moderador de três painéis e acompanhou de perto a movimentação intensa do espaço.
A experiência, no entanto, veio acompanhada de um diagnóstico: faltou estratégia. "Meu SXSW foi na Casa São Paulo até o fim. Eu praticamente não vi nada lá fora", conta ele em bate-papo com a CMO da Billboard Brasil, Camila Zana, no podcast Cabos & Cases. "Passo o dia inteiro lá, assisto a uma ou duas palestras e estou moderando outros painéis. As pessoas acabam me conhecendo mais nesse contexto, conversando, trocando."
A imersão no hub brasileiro em Austin deu a Guilherme uma visão privilegiada do potencial e das lacunas da presença de marcas no evento. Para ele, há um descompasso entre onde as marcas estão investindo e onde, de fato, o impacto acontece. "Quando eu vi a Diageo apoiando um monte de evento paralelo, eu pensei: por que não está na SP House? Aqui você impacta todo mundo num único lugar", afirma. "Fiquei meio com um ponto de interrogação. Não faz sentido."
A autocrítica não é apenas sobre ausência, mas sobre oportunidades perdidas de conexão qualificada. O executivo destaca que, enquanto algumas marcas pulverizam recursos em múltiplos eventos paralelos, espaços como a SP House concentram público relevante e facilitam interações mais profundas - justamente onde, em sua visão, o verdadeiro valor do SXSW se constrói.

