O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que as supostas ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, são um caso de polícia. A declaração foi dada durante visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados Fafen, em Camaçari, na Bahia.
“Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, afirmou o presidente, em resposta a uma jornalista.
Lula se referia ao escândalo revelado pelo portal The Intercept Brasil, segundo o qual Flávio Bolsonaro articulou repasses de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória política do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O banqueiro está preso suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras por meio do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no fim de 2024.
A reportagem do Intercept divulgou um áudio do senador que menciona a importância do filme e a necessidade de enviar recursos para pagar “parcelas para trás”. Documentos e comprovantes bancários mostram que parte do valor foi paga entre fevereiro e maio de 2025. As conversas entre Flávio e Vorcaro datam de novembro de 2024, pouco antes da liquidação do banco e da prisão do banqueiro pela Polícia Federal.
Vorcaro está preso na Superintendência da PF, em Brasília, e negocia um acordo de delação premiada. O filme, produzido no exterior, tem previsão de lançamento ainda este ano. Os recursos teriam sido transferidos de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
Deputados da base do governo apresentaram denúncia à PF e à Receita Federal para apurar possíveis ilegalidades nas transações. Horas após a publicação da reportagem, na quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido o patrocínio e mantido relação com Vorcaro, mas disse se tratar de uma questão privada. “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, afirmou em nota.
Flávio negou ter combinado vantagens indevidas ou recebido dinheiro público. “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou, pedindo a criação de uma CPI do Master. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele disse que Vorcaro parou de honrar as parcelas pendentes e que havia um contrato assinado, sem dar mais detalhes.

