Lula conversa com líderes sobre Venezuela e defende soberania
Presidente brasileiro falou com primeiros-ministro do Canadá e líderes da Colômbia e México nesta quinta-feira
Publicado em 08/jan/26 | 23:02
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma série de contatos diplomáticos nesta quinta-feira (8), com foco na situação na Venezuela e na defesa da soberania dos povos. O telefonema mais destacado foi com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que aceitou um convite para visitar o Brasil em abril.
De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula e Carney trocaram impressões sobre os desdobramentos na Venezuela e seus impactos para a região. "Ambos condenaram o uso da força sem amparo na Carta das Nações Unidas e no direito internacional", informou o comunicado oficial.
O presidente brasileiro foi enfático ao defender que "o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo e que a América do Sul deve continuar sendo uma zona de paz". A conversa ocorre em um contexto delicado, após a invasão militar dos Estados Unidos no último sábado (3), que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores.
Além da situação venezuelana, os dois líderes concordaram sobre a necessidade de reforma das instituições de governança global. Na agenda positiva, Carney aceitou o convite de Lula para uma visita ao Brasil em abril, quando devem discutir o avanço de um possível acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.
Mais cedo, Lula já havia conversado por telefone com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e com a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Com a líder mexicana, o tema Venezuela também esteve no centro das discussões.
"Ambos defenderam o multilateralismo, repudiaram a invasão militar dos EUA e contestaram a visão que tenta separar o mundo em zonas de influências de grandes potências", detalhou o Planalto sobre a conversa com Sheinbaum.
Lula e a presidente mexicana também discutiram os preparativos para uma visita de Sheinbaum ao Brasil, ainda sem data definida, e a cooperação entre os países no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Os contatos diplomáticos desta quinta-feira ocorrem em meio a outras movimentações relacionadas à Venezuela. O Brasil anunciou recentemente a doação de 100 toneladas de medicamentos ao país vizinho, enquanto a Assembleia Nacional da Venezuela anunciou a libertação de presos políticos.
A postura do governo brasileiro reflete uma retomada do protagonismo regional na política externa, com defesa clara da não-intervenção e do diálogo como caminhos para a solução de conflitos. A articulação com países como Canadá, Colômbia e México mostra uma estratégia de construir pontes entre diferentes blocos e visões sobre a crise venezuelana.