A produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, marcando o segundo mês consecutivo de avanço. Com esse resultado, o setor acumula expansão de 3% nos dois primeiros meses do ano, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgados nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O gerente da PIM, André Macedo, avalia que a indústria está recuperando as perdas registradas nos últimos meses de 2025, com um perfil disseminado de crescimento. "Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais", explica o pesquisador.

Com o resultado de fevereiro, a produção industrial se encontra 3,2% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020. No entanto, o setor ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, indicando que a recuperação completa ainda demanda tempo e investimentos.

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Segundo o IBGE, o crescimento da produção industrial foi registrado nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados. Entre as atividades, as influências positivas mais importantes vieram dos setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%).

"Nesses setores, as principais pressões positivas vêm de automóveis e autopeças, na indústria automobilística, e derivados do petróleo e álcool etílico, na atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis", detalha André Macedo.

A atividade de veículos automotores, reboques e carrocerias acumula expansão de 14,1% nos dois primeiros meses de 2026 e elimina o recuo de 9,5% verificado nos dois últimos meses de 2025. Já a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento, registrou ganho de 9,9% neste período.

Entre as atividades que apresentaram recuo, a principal influência negativa veio da produção de farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%), que intensificou a queda verificada no primeiro mês do ano (-1,4%). "Na indústria farmacêutica, caracterizada pela maior volatilidade de seus resultados, observa-se o segundo mês consecutivo de queda, influenciado, em grande medida, pela elevada base de comparação, em função do avanço de 19% acumulado nos dois últimos meses de 2025", explica o gerente da pesquisa.

A pesquisa também destaca os impactos negativos observados nos setores de produtos químicos (-1,3%) e de metalurgia (-1,7%), que contribuíram para moderar o crescimento geral do setor industrial.

Os dados do IBGE chegam em um momento de notícias positivas para a indústria brasileira. Recentemente, o BNDES anunciou R$ 10 bilhões em financiamentos para indústria 4.0 e bens de capital verde, e o presidente Lula sancionou lei que reduz tributos para a indústria química. Além disso, a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, segundo revelou o próprio IBGE em levantamento anterior.

O desempenho industrial de fevereiro sugere que o setor mantém trajetória de recuperação, embora de forma desigual entre diferentes ramos. A combinação de políticas de incentivo, recomposição de estoques e demanda interna parece estar impulsionando a atividade, mas desafios permanecem para alcançar os níveis históricos de produção.