A integração entre tecnologia, inteligência policial e serviços públicos permitiu ao governo de São Paulo identificar 4,8 mil pessoas que frequentavam a antiga Cracolândia entre 2023 e maio do ano passado, período em que a cena aberta de uso foi completamente esvaziada. A ação, parte da Operação Resgate, envolveu as Polícias Civil e Militar, com apoio da Guarda Civil Metropolitana, e teve como foco separar dependentes químicos de criminosos que exploravam a região.

Dos 4,8 mil frequentadores mapeados, aproximadamente 3 mil possuíam registro criminal, o equivalente a mais de 60% do total. Segundo o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, “Não foi um trabalho fácil, mas com a unificação dos setores e o uso da tecnologia conseguimos não só ajudar os dependentes químicos com o acesso aos serviços públicos, como também devolver o centro de São Paulo à população.”

O uso de tecnologia foi crucial para agilizar a identificação, já que grande parte dos frequentadores não portava documentos. O tenente-coronel Rodrigo Vilardi, coordenador do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), explicou: “O nome, CPF e outras informações dessa pessoa ficam armazenados em um banco de dados. A partir disso, cada instituição, em áreas como segurança, saúde ou desenvolvimento social, age dentro do seu âmbito.” Ele complementou que, com esses dados, a Secretaria da Saúde pode acessar todo o histórico do frequentador, incluindo medicamentos e atendimentos, permitindo estratégias individualizadas.

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Os resultados já são sentidos na segurança pública. Na área antes dominada pelo fluxo da Cracolândia, os roubos e furtos caíram 32% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2022, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, baseados nos registros do 3º e 77º Distritos Policiais. Além disso, desde o início da gestão, 9,8 mil infratores foram presos na região, com apreensão de 173 armas de fogo ilegais, recuperação de 454 veículos e 955 quilos de drogas apreendidos.

Paralelamente, as forças de segurança intensificaram o policiamento ostensivo e as investigações para desmontar a estrutura financeira que sustentava a Cracolândia. A ação integrada, que une segurança pública, saúde e assistência social, tem sido apontada como modelo para requalificar o centro da capital e devolver a região à população.