O Governo de São Paulo assinou na sexta-feira (15) o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) do Sistema de Travessias Hídricas com o consórcio AcquaVias SP Travessias SPE S.A. O projeto, coordenado pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), prevê um investimento de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para modernizar 14 linhas de transporte aquaviário em diferentes regiões do Estado.
A concessão, com duração de 20 anos, beneficiará cerca de 11 milhões de passageiros e 10 milhões de veículos que utilizam o sistema anualmente. Entre as principais inovações está a aquisição de 45 novas embarcações, sendo a maioria 100% elétrica, o que deve reduzir em até 18 mil toneladas anuais as emissões de CO₂. O projeto também inclui a requalificação, climatização e ampliação de terminais, com foco em acessibilidade, áreas de alimentação e atendimento ao público, além de novas oficinas de manutenção, centros de controle operacional, cabines automáticas de cobrança e sistemas avançados de automação e segurança.
O secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, destacou a importância do projeto: “O projeto da PPP das Travessias Hídricas representa um marco para a mobilidade e para a modernização da infraestrutura do Estado de São Paulo. Estamos levando mais eficiência, conforto, segurança e sustentabilidade para milhões de usuários que utilizam diariamente o sistema em diferentes regiões do estado”.
Um dos diferenciais da concessão é a manutenção da mesma base tarifária praticada atualmente, garantindo que não haja aumento de preços para os usuários. Além disso, todas as gratuidades já existentes serão preservadas, e a tradicional travessia por balsas entre Santos e Guarujá passará a ser gratuita para pedestres – até então, apenas ciclistas tinham esse benefício. O contrato também prevê que a concessionária reforce a frota em feriados e períodos de alta temporada, assegurando mais viagens e redução nas filas de espera.
As 14 linhas contempladas estão distribuídas em três regiões do estado:
Litoral: São Sebastião–Ilhabela, Santos–Guarujá, Santos–Vicente de Carvalho, Bertioga–Guarujá, Cananéia–Ilha Comprida, Cananéia–Continente, Iguape–Juréia, Cananéia–Ariri.
Região Metropolitana de São Paulo: João Basso–Riacho Grande, Bororé–Grajaú, Taquacetuba–Bororé.
Região de Paraibuna (Vale do Paraíba): Porto Varginha, Porto Paraitinga, Porto Natividade da Serra.
O projeto também recebeu reconhecimento internacional. Na última semana, o Governo de São Paulo foi agraciado, em Paris, na França, com a certificação Blue Dot Network (BDN), durante o OECD InfraDays 2026. Trata-se de uma conquista inédita para o Brasil: foi o primeiro projeto nacional a obter o selo ainda na fase de modelagem e estruturação, antes mesmo do leilão. Desenvolvida pela OCDE em parceria com Estados Unidos, Japão e Reino Unido, a BDN reconhece projetos alinhados com os Princípios do G20 para Investimentos em Infraestrutura de Qualidade, avaliando critérios como impacto ambiental (redução de emissões e proteção de ecossistemas), responsabilidade social (direitos trabalhistas, segurança e inclusão) e governança (anticorrupção, transparência e gestão responsável dos recursos públicos).

