A Fundação Araucária abriu as inscrições para a etapa paranaense do Prêmio Confap de Ciência, Tecnologia e Inovação “Professora Niède Guidon”. A chamada pública tem como objetivo selecionar candidatos que representarão o estado na premiação nacional promovida pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), com apoio da Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Os interessados têm até o dia 13 de abril para se inscrever.
Segundo a coordenadora de Ciência e Tecnologia da Fundação Araucária, Fátima Padoan, o edital busca reconhecer profissionais com trajetória de destaque na produção científica, tecnológica e inovadora no Paraná, além de valorizar comunicadores que atuam na divulgação científica. "Os selecionados na etapa estadual serão indicados para a fase nacional do prêmio, que reúne representantes de todos os estados brasileiros", explica ela. A iniciativa está alinhada às estratégias de desenvolvimento regional previstas no projeto "Paraná 2040", reforçando a conexão entre ciência, inovação e demandas do território.
O edital prevê a indicação de candidatos em três grandes categorias: Pesquisador Destaque, com subcategorias em Ciências da Vida, Ciências Exatas e Ciências Humanas; Pesquisador Inovador, voltado a iniciativas aplicadas ao setor público e empresarial; e Profissional de Comunicação, destinada a jornalistas e divulgadores científicos. Cada instituição científica e tecnológica do Paraná poderá indicar um candidato por subcategoria na categoria Pesquisador Destaque.
O processo ocorre em duas fases: estadual e nacional. Na primeira, conduzida pela Fundação Araucária, são selecionados os representantes do Paraná, com divulgação do resultado prevista para a partir de 28 de abril. Na etapa nacional, os indicados serão avaliados por uma comissão especializada vinculada ao sistema de ciência e tecnologia do país. A cerimônia nacional do prêmio está prevista para novembro de 2026.
Os agraciados da Etapa Nacional receberão certificados de premiação, troféus e premiação financeira. Os classificados em cada categoria/subcategoria no primeiro lugar receberão R$ 10 mil; em segundo lugar R$ 6 mil; e em terceiro R$ 3 mil. Nesta quinta edição, a premiação financeira total será de R$ 114 mil, com patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI).
Desde sua criação em 2021, o Prêmio Confap de CT&I homenageia a cada edição um pesquisador ou pesquisadora com relevantes contribuições à ciência, tecnologia e inovação brasileira. Nesta 5ª edição (2025), a pesquisadora homenageada será Niède Guidon (em memória). A indicação do nome foi feita pelo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), João Xavier da Cruz Neto, e aprovada por unanimidade pelos membros do Conselho Nacional das FAPs durante o 70º Fórum Nacional Consecti & Confap, em dezembro de 2025, em Goiânia (GO).
Nascida em Jaú, São Paulo, em 1933, Niède Guidon foi uma das mais influentes arqueólogas brasileiras, reconhecida internacionalmente por ter revelado e protegido o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, considerado hoje um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Formada em História Natural pela Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Pré-História pela Universidade Paris 1 – Panthéon-Sorbonne (França), ela dedicou sua carreira à pesquisa científica no Sudeste piauiense.
A partir dos anos 1970, Guidon coordenou pesquisas que identificaram centenas de sítios arqueológicos e pinturas rupestres que transformaram o entendimento sobre as primeiras ocupações humanas nas Américas. Visionária, ela liderou a criação do Parque Nacional da Serra da Capivara em 1979 e, posteriormente, da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), entidade responsável pela pesquisa científica, educação patrimonial, qualificação de comunidades locais e preservação do parque. Seu trabalho resultou no reconhecimento da Serra da Capivara como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 1991.
Sua trajetória também ficou marcada pela defesa da hipótese de que a presença humana na América do Sul poderia remontar a até 50 mil anos, uma ideia que desafiava o modelo tradicional de ocupação do continente e gerou debates científicos em todo o mundo. A partir de vestígios como fogueiras, ferramentas de pedra e material orgânico datado por métodos avançados, a pesquisadora colocou o Piauí no centro da arqueologia global e impulsionou novas linhas de pesquisa sobre as rotas e tempos de povoamento. Niède Guidon morreu em 4 de junho de 2025, aos 92 anos, deixando um legado científico e cultural de enorme relevância para o Brasil.

