O sexto episódio do videocast Música que Não Toca por Aí, apresentado por Monique Dardenne, recebeu o cantor, compositor e diretor artístico Evandro Okàne para uma conversa profunda sobre memória afetiva, ancestralidade e trajetória profissional.
Durante o programa, Evandro realizou o exercício de escolher cinco discos que representam sua vida, descrevendo o processo como "uma arqueologia de si". "Foi um momento de olhar para a história, mas também de tortura", confessou, rindo. "Porque escolher poucas músicas te leva ao encontro de memórias, de momentos que você estava vivendo enquanto ouvia aquele artista. É um exercício de priorizar afetos."
O primeiro disco escolhido foi Luz, de Djavan. Evandro revelou que sua relação com o artista alagoano começou na adolescência, durante os primeiros desafios amorosos. "Eu ouvia Djavan e chorava. E quanto mais eu chorava, melhor me sentia. Foi ali que entendi o poder emocional da música", comentou.
Além do aspecto emocional, Djavan representou um marco em sua identidade. Em um período de preconceito por ser um menino negro e sensível na escola, aprender a tocar violão e tocar Djavan foi essencial para um encontro com o pertencimento e uma virada de chave em sua vida.
Para Evandro, o recorte musical escolhido funciona como um mapa de sua trajetória e um convite para que os ouvintes também encontrem conexões com suas próprias histórias através da música.

