A zona sul de São Paulo está prestes a ganhar um novo marco na mobilidade urbana: a Estação Campo Belo, da Linha 17-Ouro, que se prepara para ser a principal referência operacional e de integração do primeiro trecho do monotrilho na região. Localizada na movimentada Avenida Jornalista Roberto Marinho, a estação se destaca não apenas pela localização estratégica, mas por reunir a maior capacidade de atendimento da linha, com previsão de receber quase 40 mil passageiros por dia.
As obras da estação já atingiram 98% de avanço nas etapas civis e 86% na implantação dos sistemas, com as principais áreas estruturais completamente finalizadas. A plataforma central de 60 metros, o mezanino, os acessos distribuídos pelas ruas Arizona e Ministro Luiz Gallotti, as circulações internas e todos os equipamentos de acessibilidade já estão prontos. Agora, as equipes se dedicam aos serviços finais de acabamento, à integração entre sistemas operacionais e à preparação do espaço para os testes dinâmicos dos últimos trens que antecedem a operação assistida.
O grande diferencial técnico que coloca a Estação Campo Belo em outro patamar é a passarela de dois níveis, uma solução inédita na Linha 17-Ouro e considerada um dos elementos mais complexos de todo o empreendimento. A estrutura impressiona pelas dimensões: 220 toneladas, 29,5 metros de comprimento e 10 metros de largura. Sua instalação, realizada entre setembro e outubro de 2024, exigiu operações noturnas com guindastes de grande porte e interdições programadas na região.
Esta passarela não é apenas uma obra de engenharia impressionante – ela tem função prática fundamental para a mobilidade da região. O nível superior permitirá a integração direta entre as linhas 17-Ouro e 5-Lilás, enquanto o nível inferior funcionará como passarela de travessia e acesso direto à estação, organizando o fluxo de pedestres e ampliando a segurança viária em um dos principais eixos de circulação da zona sul.
O projeto da estação prioriza praticidade e acessibilidade, com elevadores, escadas rolantes e bloqueios dimensionados para a alta demanda prevista, garantindo circulação contínua mesmo nos horários de pico. A preocupação com o usuário vai além da infraestrutura: no entorno do empreendimento, a região concentra serviços essenciais, escolas, mercados, unidades de saúde, áreas de lazer e comércio local em um raio de até 15 minutos de caminhada.
A integração multimodal é outro ponto forte da Estação Campo Belo. Além da conexão direta com a ciclovia da Avenida Jornalista Roberto Marinho – que incentiva deslocamentos de curta distância por bicicleta –, a estação contará com paraciclos, baias de embarque e desembarque e integração com linhas de ônibus da SPTrans, reforçando a distribuição de mobilidade urbana na região.
Sustentabilidade incorporada ao projeto segue o padrão das demais estações da Linha 17-Ouro, com soluções como ventilação e iluminação naturais, captação de água pluvial para limpeza e irrigação e paisagismo com espécies nativas. Estas características não apenas contribuem para o conforto ambiental dos usuários, mas também valorizam o espaço público em uma das áreas mais dinâmicas da cidade.
A Linha 17-Ouro como um todo representa um avanço significativo para a mobilidade paulistana. Prevista para começar a operar em março de 2026, seu primeiro trecho vai ligar o Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária, beneficiando cerca de 100 mil passageiros por dia. Com oito estações e 6,7 km de extensão, o novo monotrilho promete reduzir o tempo de deslocamento, ampliar a integração com outros modais e oferecer uma alternativa de transporte eficiente para moradores e trabalhadores da zona sul.
Enquanto a contagem regressiva para a inauguração segue, a Estação Campo Belo se consolida não apenas como uma obra de infraestrutura, mas como um símbolo da transformação urbana que prioriza a integração, a acessibilidade e a qualidade de vida dos paulistanos. Sua passarela de dois níveis, capacidade operacional e localização estratégica a colocam no centro de uma nova era de mobilidade para uma das regiões mais vibrantes da capital.

