Canetas emagrecedoras exigem cuidado redobrado em idosos, alertam geriatras

Uso sem orientação adequada pode acelerar perda de massa muscular e funcionalidade, diz SBGG

Publicado em 07/jan/26 | 09:00
Canetas emagrecedoras exigem cuidado redobrado em idosos, alertam geriatras
Fonte: Agência Brasil / EBC

O uso das chamadas "canetas emagrecedoras" por pessoas com 60 anos ou mais requer cuidados especiais para não acelerar o declínio funcional, alertou nesta terça-feira (6) o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Leonardo Oliva, em entrevista à Agência Brasil. Segundo o especialista, sem uma orientação adequada, os idosos podem sofrer riscos imediatos de efeitos adversos como náuseas, vômitos, dificuldade de ingestão de alimentos e água, podendo levar até a desidratação e distúrbios eletrolíticos - situação potencialmente grave.

"Cerca de um terço do peso que a gente perde, com o uso dessas medicações, é peso em músculo, em massa magra. Não tem como a gente emagrecer apenas a gordura. O corpo perde gordura, mas perde também músculo", explicou Oliva. Na população idosa, essa perda de massa muscular pode significar perda de função e da capacidade de realizar atividades do dia a dia, um prejuízo que pode não ser recuperado.

O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, complementa que o efeito combinado de menor apetite, náuseas e rápida perda de peso pode precipitar síndromes geriátricas como sarcopenia e fragilidade física. A médio prazo, também pode ocorrer desnutrição, agravando ainda mais o quadro de saúde.

Oliva enfatiza que as canetas emagrecedoras são medicações para tratamento da obesidade, diabetes e apneia do sono, e não devem ser usadas para fins estéticos. "Hoje, a gente vê os indivíduos que querem perder três quilos ou a gordura localizada, a barriga, utilizando essas medicações. Não há indicação médica para isso", advertiu. Ele considera as canetas "um tratamento muito bom, uma inovação fantástica da medicina que deve ser usada de maneira apropriada".

Para idosos que realmente necessitam do tratamento, é fundamental um acompanhamento médico e nutricional adequado, além de supervisão com fisioterapeuta ou educador físico. A atividade física regular, especialmente exercícios de musculação, ajuda a minimizar a perda muscular durante o emagrecimento. "Não se deve buscar um emagrecimento muito rápido, porque, quanto mais rápido, maior a tendência de perda associada de massa muscular", orientou Oliva.

O geriatra também chama atenção para a necessidade de conscientização: "O idoso tem que se conscientizar de que o seu corpo não é igual ao que tinha aos 20 anos". Ele explica que existe uma tendência genética ao acúmulo de gordura com o envelhecimento, uma memória evolutiva relacionada à dificuldade de conseguir alimento em idades mais avançadas. "Não é só uma questão de balança, é uma questão de buscar ter mais saúde", completa, destacando que a busca deve envolver alimentação adequada, atividade física e cuidado com a saúde psicológica e emocional.

Outro ponto crucial destacado pelo presidente da SBGG é a importância de adquirir os produtos apenas com receita médica em farmácias legalizadas. "Comprar medicação em mercado paralelo é colocar a saúde em risco de uma forma muito grande", alertou Oliva, mencionando os perigos de falsificações de procedência duvidosa. Ele explica que a necessidade de receita médica existe justamente para garantir que a pessoa passe por uma avaliação médica adequada antes de usar a medicação.

A SBGG reforça que, enquanto as canetas emagrecedoras trazem benefícios importantes para o tratamento da obesidade, diabetes tipo 2 e prevenção de doenças cardiovasculares e renais quando usadas corretamente, o uso indiscriminado sem supervisão médica coloca em risco a saúde, especialmente da população idosa.


Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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