O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (3) que a economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, atingindo um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 12,7 trilhões. O resultado posiciona o Brasil na sexta colocação entre as 16 economias do G20 que já consolidaram seus dados para o ano passado, ficando à frente de potências como os Estados Unidos (2,2%) e o Canadá (1,7%). A lista é liderada pela Índia, com expansão de 7,5%.
O PIB, que representa o conjunto de bens e serviços produzidos no país, registrou seu quinto ano seguido de expansão. No entanto, o ritmo de crescimento desacelerou em relação a 2024, quando a alta foi de 3,4%. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, a perda de fôlego se deve principalmente à política de juros elevados adotada pelo Banco Central (BC) para conter a inflação.
Agropecuária foi o principal motor do PIB nacional em 2025, com crescimento expressivo de 11,7%. O setor ganhou participação na economia e ajudou a compensar a perda de ritmo em outros segmentos. "A perda de fôlego tornou-se mais evidente no segundo semestre, quando a atividade permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro", aponta boletim da SPE.
A política monetária contracionista, com a taxa Selic em 15% ao ano desde junho de 2025 - maior patamar desde julho de 2006 -, atuou como freio na economia. "Esse movimento indica que a política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto", afirma o estudo da SPE. Na linguagem econômica, isso significa que os juros altos desestimularam o consumo a ponto de reduzir pressões inflacionárias.
Apesar do cenário restritivo, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE. O efeito colateral da desaceleração econômica sobre o mercado de trabalho ainda não se materializou plenamente nos números oficiais.
Previsões para 2026 indicam que o PIB deve manter o mesmo ritmo de crescimento deste ano, com expansão estimada em 2,3%. O Comitê de Política Monetária (Copom) já anunciou que pretende cortar a Selic na próxima reunião, nos dias 17 e 18 de março. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã não deve impactar a redução dos juros.
A SPE projeta "desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços" no próximo ano. Os técnicos do ministério acreditam que a provável redução de juros dará fôlego à indústria e à construção civil. A isenção de cobrança de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, em vigor desde janeiro, é outro incentivo ao crescimento.
"Para os serviços, a expectativa também é de maior crescimento, impulsionado pela reforma da tributação sobre a renda e pela expansão do crédito consignado para o trabalhador privado, além da resiliência do mercado de trabalho", sustenta o boletim da SPE.
O ranking completo do G20 mostra a Índia em primeiro lugar (7,5%), seguida por Indonésia (5,1%), China (5%), Arábia Saudita (4,5%) e Turquia (3,6%). O Brasil aparece em sexto, com seus 2,3%, logo à frente dos Estados Unidos (2,2%). As últimas posições são ocupadas por México (0,6%) e Alemanha (0,4%).

