Um dia após bater recorde, a bolsa brasileira teve uma forte correção nesta quarta-feira (4), com o índice Ibovespa caindo pouco mais de 2%, puxado principalmente pelas ações de bancos. O dólar comercial, por outro lado, fechou estável, resistindo à pressão internacional.
O principal indicador do mercado de ações do Brasil, o Ibovespa, da B3, encerrou o dia aos 181.708 pontos, com um recuo de 2,14%. Essa queda significativa veio logo após o índice ter alcançado um novo recorde na terça-feira (3), refletindo um movimento comum em momentos de alta: a realização de lucros, quando investidores vendem papéis para embolsar ganhos acumulados recentemente.
Além da realização de lucros, o Ibovespa foi influenciado pela queda nas bolsas dos Estados Unidos. Lá, os investidores estão preocupados com possíveis bolhas em empresas de inteligência artificial e com dados econômicos que reduziram as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central estadunidense. A atividade do setor de serviços nos EUA caiu menos que o previsto, diminuindo as chances de um corte na próxima reunião, em março.
No Brasil, notícias relacionadas à política monetária também estiveram em foco. O Banco Central confirmou que deve cortar a taxa Selic em março, mas manterá os juros em patamares restritivos para controlar a inflação. Por outro lado, o mercado reduziu sua previsão para a inflação este ano, para 3,99%, o que pode aliviar um pouco a pressão sobre os juros no futuro.
Enquanto a bolsa brasileira enfrentou um dia turbulento, o mercado de câmbio teve um comportamento mais tranquilo. O dólar comercial fechou estável, vendido a R$ 5,25, o mesmo valor da terça-feira. Durante o dia, a cotação chegou a cair para R$ 5,21 pouco antes das 11h, mas voltou à zona de estabilidade na tarde. Em 2026, a moeda estadunidense acumula uma queda de 4,38%.
A estabilidade do dólar frente ao real ocorreu apesar da pressão internacional, graças à valorização das commodities, bens primários com cotação internacional, como o petróleo. O barril de petróleo do tipo Brent subiu pouco mais de 3% após impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o que ajudou várias moedas de países emergentes, incluindo o real, a resistirem à pressão externa.
Em resumo, o dia foi marcado por uma correção natural na bolsa brasileira após um recorde, com influências externas e movimentos internos de realização de lucros. Enquanto isso, o dólar manteve-se firme, beneficiado por fatores globais que favorecem moedas de economias emergentes. O mercado segue atento aos próximos movimentos do Banco Central e às oscilações internacionais.

