BaianaSystem retorna às raízes em show histórico na Ilha de Itaparica
Banda celebra independência da cidade e revela como a ilha molda sua visão artística e identidade musical.
Publicado em 09/jan/26 | 16:16
O calendário oficial para o BaianaSystem começou de fato no momento em que os pés tocaram o solo da Ilha de Itaparica (BA). A celebração dos 203 anos de independência da cidade não foi apenas o cenário para a estreia da temporada de verão; foi um retorno à fonte. Para a banda, Itaparica não é apenas um destino, é uma lente.
"A Ilha de Itaparica é um dos melhores lugares do mundo para ver o mundo", explica o vocalista Russo Passapusso. "Através do olhar da Ilha, passamos a entender Salvador e, por conseguinte, o Brasil. É ver de fora para ver de dentro."
A conexão não é de hoje. Foi em Itaparica que o grupo se refugiou para gestar o premiado "O Futuro Não Demora" (Grammy Latino de 2019). Aquela pesquisa sonora e cultural, que fundiu a guitarra baiana ao som das fanfarras locais, continua a ecoar.
Neste verão de 2026, os instrumentos de sopro e a estética das filarmônicas assumem o protagonismo, herança direta das vivências na Ilha e do canal de amizade com o pesquisador Felipe Peixoto Brito. O show foi estruturado como um rito de passagem, respeitando a hierarquia do território.
A abertura não poderia ser diferente: a saudação aos Caboclos de Itaparica, donos da festa de 7 de janeiro, evocando a ancestralidade que garantiu a expulsão dos invasores em 1823. Na sequência, a Bamuit (Banda Municipal de Itaparica) trouxe o peso do metal para o palco.