Na madrugada desta segunda-feira (6), a Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerã, foi alvo de um bombardeio conduzido pelos Estados Unidos e por Israel. Considerada a principal instituição do país nos campos da tecnologia e da engenharia, e frequentemente chamada de 'MIT do Irã' em referência ao prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts dos EUA, a universidade sofreu danos significativos em suas instalações civis e acadêmicas. Segundo informações da mídia local, o ataque destruiu parte da instituição, com foco no centro de dados e no posto de distribuição de gás, além de causar danos à mesquita do campus. Felizmente, não foram registradas mortes neste incidente específico.
A Universidade Sharif é reconhecida como uma plataforma central para o desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA) no Irã, desempenhando um papel crucial na formação de profissionais e na pesquisa avançada. O ataque a essa instituição de ensino superior foi imediatamente condenado por autoridades iranianas, que o classificaram como mais um crime de guerra. O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, utilizou redes sociais para expressar sua indignação, afirmando que 'o bombardeio da Universidade Sharif é um símbolo da loucura e da ignorância de Trump'. Ele acrescentou que 'ele não entende que o conhecimento iraniano não é concreto a ser destruído por bombas', enfatizando que o conhecimento 'está enraizado' nas almas iranianas.
De acordo com o direito internacional, ataques a instalações civis, como universidades, são considerados crimes de guerra. Na semana passada, os ministros iranianos da Ciência, Ali Simayi Sarra, e da Saúde, Mohammad-Reza Zafar-Qandi, emitiram um comunicado conjunto condenando esses ataques e pedindo uma resposta da comunidade internacional. Eles alertaram que 'se essas atrocidades não forem condenadas aqui e agora, ameaças semelhantes pairarão sobre os ambientes acadêmicos em outros países', destacando a importância de proteger instituições científicas globalmente.
Este não é um incidente isolado. Desde o início do conflito, os EUA e Israel já atacaram pelo menos outras seis universidades ou faculdades iranianas. A Cruz Vermelha Iraniana estima que, desde 28 de fevereiro, aproximadamente 600 centros educacionais ou escolas tenham sido alvo de ataques. Entre os casos mais graves está o bombardeio de uma escola em Minab, no primeiro dia da guerra, que resultou na morte de 168 crianças do ensino básico, evidenciando o impacto devastador do conflito na educação e na infância.
Até o momento, autoridades dos EUA e de Israel não comentaram especificamente sobre o ataque à Universidade de Tecnologia Sharif. Enquanto isso, o contexto regional permanece tenso, com notícias relacionadas incluindo alegações de Trump sobre o resgate de um piloto – negadas pelo Irã, que mostrou aeronaves abatidas –, a liberação do transporte de bens humanitários pelo Estreito de Ormuz pelo Irã, e a decisão da ONU de adiar a votação sobre o uso da força para manter o trânsito na mesma região. Esses desenvolvimentos refletem a complexidade do cenário geopolítico, onde ações militares se entrelaçam com esforços diplomáticos e humanitários.

