O Governo do Paraná deu um passo decisivo nesta sexta-feira (06) rumo à desestatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). Com a publicação do edital, o processo de venda da empresa estadual foi oficialmente aberto, estabelecendo as regras para um leilão que promete movimentar o mercado de tecnologia no Brasil.

Conforme as diretrizes aprovadas pelo Conselho de Controle das Empresas Estaduais (CCEE), a Celepar será vendida por meio de leilão na modalidade de maior oferta, com um valor mínimo de referência de R$ 1,3 bilhão. A disputa está marcada para o dia 17 de março, na B3, em São Paulo, e envolverá a alienação, em lote único, da totalidade das ações de titularidade do Estado.

O edital estabelece critérios rigorosos para a participação no leilão. Podem concorrer empresas brasileiras ou estrangeiras, atuando isoladamente ou em consórcio, além de instituições financeiras, Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e entidades de previdência complementar. Os interessados deverão comprovar regularidade jurídica, fiscal, trabalhista, econômico-financeira e qualificação técnica, demonstrando experiência prévia na execução de serviços de tecnologia da informação com grau de complexidade tecnológica e operacional equivalente ou superior ao da Celepar.

Publicidade
Publicidade

Uma das condições mais importantes do processo é a manutenção, pelo Estado, de uma Ação de Classe Especial, conhecida como Golden Share. Esse mecanismo assegura direitos de veto em decisões estratégicas, especialmente quanto à alteração da sede da Companhia e à transferência das infraestruturas físicas de armazenamento e processamento de dados, que deverão permanecer no Paraná por, no mínimo, dez anos. Essa medida foi estabelecida pela Lei Estadual nº 22.188/2024, que autorizou a desestatização.

O futuro controlador da Celepar terá ainda outras obrigações importantes. Deverá assegurar que a empresa observe as diretrizes estabelecidas pelo Conselho de Governança Digital e Segurança de Informações (CGDSI), continue a cumprir integralmente a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e tome as medidas necessárias à continuidade operacional dos serviços, nos termos dos contratos vigentes.

O secretário de Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, destacou a importância do processo. "Com a publicação do edital de desestatização da Celepar, o Governo do Paraná dá um importante passo para garantir serviços digitais mais rápidos, mais baratos e mais modernos aos paranaenses. Tudo com a devida transparência e cumprimento às determinações da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-PR), do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) e do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PR)", afirmou.

A Celepar é a GovTech responsável por dezenas de programas, softwares e aplicativos de Tecnologia da Informação utilizados no Paraná. Só em aplicativos, são 35 parcerias com órgãos de Governo, como Escola Paraná, Detran Inteligente ou Menor Preço – serviços que seguirão gratuitos aos cidadãos mesmo após a desestatização.

O objetivo do Governo com a desestatização é permitir ao Estado melhorar a qualidade dos serviços digitais prestados à população. A Celepar poderá, também, se desenvolver e competir melhor em um mercado em permanente transformação, que exige investimentos cada vez mais robustos.

Sob a perspectiva da legislação de proteção de dados pessoais, os dados seguem como propriedade dos cidadãos. O Governo é e continuará sendo o controlador deles para a prestação de serviços públicos, ao passo que a Celepar atuará na condição de operadora, limitando-se ao tratamento dos dados pessoais estritamente conforme as diretrizes e instruções dos órgãos e entidades do Estado.

Mais informações sobre o processo de desestatização e as garantias de proteção de dados estão disponíveis no site oficial do Conselho de Governança Digital e Segurança de Informações: https://www.cgdsi.pr.gov.br/Pagina/Os-dados-sao-seus.