O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (29) que a alta da taxa básica de juros teve um impacto maior sobre a geração de empregos em 2025 do que o chamado "tarifaço" imposto pelo governo dos Estados Unidos, então sob o comando de Donald Trump. A declaração foi feita durante a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram um saldo positivo de 1,279 milhão de vagas formais no ano passado, resultado 23,73% inferior ao registrado em 2024.
"O tarifaço impactou, claro, mas acho que o impacto dos juros foi maior que o do tarifaço. Do ponto de vista global da indústria, o efeito dos juros é mais danoso", disse Marinho em coletiva de imprensa. Segundo o ministro, os efeitos da sobretaxa americana se concentraram em setores específicos da economia e foram parcialmente mitigados por medidas adotadas pelo governo, como a abertura de novos mercados e planos de apoio a empresas afetadas.
Para Marinho, a Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, teria um efeito mais amplo sobre investimentos e contratações. "O Banco Central esperava e trabalhou para diminuir o ritmo do crescimento. O problema é que isso reflete em queimar orçamento para pagar juros", afirmou, voltando a criticar a política monetária e relacionar a desaceleração do mercado de trabalho à elevação dos juros.
Os números do Caged mostram que o saldo positivo de 2025 foi resultado de 26,6 milhões de admissões e 25,3 milhões de desligamentos. O desempenho é o pior desde 2020, ano marcado pela pandemia, quando o saldo foi negativo. Em 2024, foram abertas cerca de 1,677 milhão de vagas, o que torna a comparação ainda mais preocupante.
Em dezembro, tradicionalmente marcado por fatores sazonais, o mercado de trabalho registrou fechamento líquido de 618 mil vagas. Marinho explicou que esse número está em linha com o padrão histórico do mês, devido ao fim de contratos temporários e ajustes de custos pelas empresas.
O ministro afirmou ainda que janeiro de 2026 apresenta números preliminares positivos, mas alertou que a manutenção dos juros elevados pode comprometer uma parte significativa do ano. "Com juros altos, é natural que investidores posterguem decisões", concluiu, reforçando a tese de que a política monetária restritiva tem um peso maior na desaceleração do emprego do que as medidas protecionistas dos Estados Unidos.
A declaração de Marinho ocorre em um contexto em que o tarifaço de Trump já havia impactado as exportações brasileiras para os Estados Unidos, que caíram 6,6% em 2025. Paralelamente, os juros para famílias subiram para 60,1% ao ano no mesmo período, e a inflação do aluguel registrou alta de 0,41% em janeiro, embora tenha tido queda em um ano. Esses dados reforçam o cenário de pressão sobre a economia e o mercado de trabalho, com o ministro destacando os juros como o principal vilão para a geração de empregos.

