Mercado financeiro tem alívio apesar de tensão com Venezuela
Dólar cai para menor valor em 25 dias e bolsa atinge maior nível desde dezembro
Publicado em 05/jan/26 | 21:01
Apesar das tensões geopolíticas envolvendo a invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, o mercado financeiro brasileiro respirou alívio nesta segunda-feira (5). Em um movimento surpreendente, o dólar comercial fechou em queda, atingindo o menor valor em 25 dias, enquanto a bolsa de valores subiu e alcançou seu patamar mais alto desde meados de dezembro.
O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,405, uma queda de R$ 0,018, ou -0,84%. A moeda estadunidense iniciou a sessão em alta, chegando a R$ 5,45 por volta das 10h30, mas inverteu a trajetória ao longo do dia, acompanhando um movimento de baixa no cenário internacional. Com esse resultado, a divisa atingiu seu valor mais baixo desde 12 de dezembro, quando fechou em R$ 5,41.
No mercado de ações, o otimismo também prevaleceu. O índice Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira administrada pela B3, fechou a segunda-feira aos 161.870 pontos, registrando uma alta de 0,83%. O indicador alternou entre altas e baixas durante a manhã, mas consolidou uma tendência de valorização à tarde, impulsionado principalmente por papéis de bancos e mineradoras. Com isso, a bolsa brasileira atingiu seu nível mais elevado desde 15 de dezembro.
O cenário de alívio ocorre em um contexto internacional conturbado, marcado pela ação dos Estados Unidos na Venezuela. Notícias relacionadas, como a declaração do embaixador venezuelano de que a ação dos EUA ameaça a paz na América do Sul, o pedido da Venezuela para que a ONU condene os Estados Unidos e denuncie interesses no petróleo, e a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina do país, criaram um clima inicial de apreensão nos mercados globais.
No entanto, após um início de pregão tenso, prevaleceu entre os investidores a leitura de que a invasão da Venezuela deve ter um efeito deflacionário nos Estados Unidos. A expectativa é que o aumento da produção de petróleo eleve a oferta global nos próximos meses, provocando uma queda no preço dos combustíveis no mercado estadunidense no médio prazo.
O barateamento dos combustíveis tende a reduzir a pressão sobre a inflação nos Estados Unidos, abrindo espaço para que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central estadunidense) corte as taxas de juros no início de 2026. Juros mais baixos em economias avançadas, como a dos EUA, costumam estimular a migração de capitais para países emergentes, incluindo o Brasil, o que explica parte do otimismo observado nos mercados locais.
Assim, mesmo diante de um cenário geopolítico complexo, o mercado financeiro brasileiro encontrou motivos para celebrar, com indicadores mostrando uma recuperação significativa e uma perspectiva de fluxo de capitais favorável no futuro próximo.