CULTSP na Estrada leva ciência e cultura a 80 mil pessoas no interior paulista
Programa itinerante do governo de São Paulo percorre municípios com museu móvel, oficinas e exposições gratuitas
Publicado em 04/jan/26 | 09:31
Em menos de um ano de existência, o programa CULTSP na Estrada, criado em julho de 2025 pelo Governo do Estado de São Paulo, já transformou a realidade cultural de dezenas de municípios do interior. A iniciativa, que reúne ações itinerantes de cultura, ciência e formação profissional, alcançou aproximadamente 80 mil pessoas em regiões que tradicionalmente têm menos acesso a esse tipo de programação. Com atividades totalmente gratuitas, o projeto foi desenhado para funcionar "desde o primeiro dia fora da capital", como destaca a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton.
Entre os destaques do programa está a carreta "Museu Catavento: Ciência que vai até você", uma unidade móvel que recria parte do acervo do famoso museu paulistano. Equipada com nove experiências interativas nas áreas de física, química, biologia, geografia e história, a carreta percorreu 2.853 quilômetros desde setembro, atendendo cerca de 23 mil pessoas – quase 10 mil delas estudantes da rede pública – em 19 municípios diferentes. "Não é evento pontual, é política pública em circulação", reforça Marton sobre a estratégia de levar conhecimento científico de forma lúdica e acessível.
As Fábricas de Cultura, outro pilar importante do CULTSP na Estrada, ampliaram significativamente sua atuação itinerante ao longo de 2025. Somando mais de mil atividades e 43 mil atendimentos, a programação incluiu desde oficinas de linguagens artísticas e cursos de economia criativa até práticas tecnológicas no Caminhão Maker – equipado com impressoras 3D, kits de robótica e óculos de realidade virtual. Municípios do litoral, da Região Metropolitana e do interior, como Guarujá, Embu das Artes, Barueri e Iguape, receberam ainda contações de histórias, apresentações teatrais, aulões de dança e shows.
O programa também integra ações itinerantes dos museus estaduais. A exposição "Arte Sacra para Ver e Sentir", do Museu de Arte Sacra, circulou por cidades como Aparecida e Guaratinguetá com réplicas produzidas por impressão 3D, permitindo que o público interaja com peças que normalmente estariam restritas a vitrines. Já o projeto "MIS Experience 360: O cinema de Billy Wilder" levou uma versão digital da mostra do Museu da Imagem e do Som a municípios como Marília, Jaboticabal, Olímpia e Botucatu, democratizando o acesso a conteúdos cinematográficos de qualidade.
Para Marília Marton, o CULTSP na Estrada consolida uma mudança profunda na forma de implementar políticas culturais no estado. "Em poucos meses, conseguimos estruturar uma presença contínua no interior, com ações que levam ciência, formação e programação cultural para cidades que raramente recebem esse tipo de iniciativa", afirma. A estratégia de descentralização parece estar dando certo: além do sucesso do programa itinerante, o CULTSP PRO – iniciativa irmã de qualificação profissional – formou 10 mil profissionais em apenas um ano, firmando-se como uma das principais políticas do gênero no país.
Com números expressivos e uma capilaridade que surpreende até os organizadores, o CULTSP na Estrada demonstra que é possível levar cultura e ciência de qualidade para além dos grandes centros urbanos. A combinação de museu móvel, oficinas práticas, exposições interativas e formação profissional cria um ecossistema cultural dinâmico que respeita as particularidades de cada região enquanto oferece oportunidades antes restritas à capital. O programa segue em circulação, provando que, quando a política pública "pega a estrada", os resultados aparecem em forma de cidadania, conhecimento e acesso democratizado à cultura.